
Primeiro encontro do ciclo Minas em Formação – Aprendizagens em Rede discutiu práticas desplugadas, uso crítico da tecnologia e formação integral dos estudantes
A Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores, da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG), realizou, no dia 13/5, a live de abertura do Webinário Minas em Formação – Aprendizagens em Rede. Com o tema “Educação Digital e suas Perspectivas Desplugadas”, o discutiu a relação entre tecnologia, pensamento computacional e formação integral dos estudantes.
Idealizado pela superintendente da Escola de Formação, Gabriela Hoffer, o ciclo será composto por oito encontros, realizados entre maio e dezembro, com debates sobre temas relacionados ao cenário educacional contemporâneo. A mediação da live foi conduzida por Felipe Pinheiro, integrante da equipe da Escola de Formação.
A discussão partiu da compreensão de que a educação digital não se limita ao uso de equipamentos, softwares ou plataformas. Durante o encontro, o pensamento computacional foi apresentado como uma forma de organizar o raciocínio, resolver problemas, construir sequências lógicas e analisar situações de maneira crítica, inclusive em atividades que não dependem do uso direto de telas.
O webinário contou com a participação de Vanessa Nicoletti Gomes de Oliveira, diretora do Ensino Médio da SEE/MG, e de Marcelo La Carretta, doutor em design e professor da PUC Minas. Os convidados abordaram possibilidades de integrar lógica, sequenciamento, resolução de problemas e colaboração de forma transversal no currículo, articulando experiências digitais e práticas presenciais.
“Pensamento computacional é diferente de colocar a criança no computador. O que sugerimos é consciência crítica para entender como a tecnologia foi concebida”, afirmou Vanessa Nicoletti. A diretora também tratou dos desafios impostos pela inteligência artificial ao cotidiano escolar. “O estudante tem que aprender a produzir com IA e criticar, mas não dá para substituir. Este é um desafio para o professor”, acrescentou.
Entre as estratégias discutidas estiveram as chamadas “ações desplugadas”, que utilizam metodologias ativas como algoritmos em papel, jogos de tabuleiro e dinâmicas colaborativas. A proposta dessas práticas é desenvolver competências associadas ao pensamento computacional por meio de atividades concretas, favorecendo a participação, a cooperação e a resolução coletiva de problemas.
Marcelo La Carretta analisou a relação entre cultura digital, convivência e aprendizagem. Para o professor, o debate sobre tecnologia na escola também exige atenção aos hábitos sociais e à forma como crianças, jovens e adultos se relacionam com os dispositivos digitais. “Como falar para a criança que ela tem que brincar mais se os adultos não saem do celular?”, questionou.
La Carretta também abordou a importância do contato presencial e dos jogos colaborativos na construção de soluções em grupo. Na avaliação apresentada durante o encontro, essas experiências contribuem para ampliar o repertório dos estudantes e aproximar o desenvolvimento tecnológico de práticas de convivência, escuta e cooperação.

Ao reunir gestores educacionais e especialistas, a Escola de Formação amplia o debate sobre os caminhos da educação digital em Minas Gerais. O encontro indicou que o uso pedagógico da tecnologia exige planejamento, leitura crítica e intencionalidade, para que os recursos digitais estejam vinculados ao desenvolvimento de competências cognitivas, sociais e colaborativas.
O ciclo Minas em Formação – Aprendizagens em Rede segue até dezembro, com encontros voltados à formação de educadores e ao debate sobre temas que atravessam a educação pública contemporânea.